Trata-se de um desabafo... Ontem fui praticamente expulso de um convívio, em questão de minutos. Saí a fim de rever um grande amigo meu, que havia chegado da Bahia, estava de férias, e que logo hoje

, domingo, 01 de março de 2009, às 09hs, estaria retornando ao estado do Axé Music. Falando um pouco mais do Fernando, o conheci em épocas de colegial, quando ainda cursávamos o Ensino Médio no CEFET (RN).
Fernando faz mágica e estudava Tecnologia Ambiental, enquanto eu cursava o técnico de Construção Civil. Já tocava violão e, numa das nossas avenças no pátio principal da escola, ele, fazendo mágica e eu tocando na roda, me pediu pra tocar "uma do Capital(!)". Foi aí que começou tudo...
Desde às sete, numa mesa de bar, nós e a rapaziada discutíamos temas ligados à vida de um adolescente; depois, de um adolescente manicaca; de um adolescente que vira adulto; em seguida, da vida dele na Bahia e da nossa por aqui (em Natal). Entramos em diversos assuntos e perduramos no boteco até quase meia-noite.
Ao retornar à um dos meus recantos de costume e de (quase) moradia, senti na pele, após alguns instantes, o erro que 'tava cometendo até então - inferir que ali era o melhor lugar p'ra se estar naquela noite! [Motivos(!): Pessoa(i)s...] Não o era...
Era quase 01h da manhã, decidi ir pr'outro lugar. Não era bem-vindo alí... Também, tenho vergonha na cara. Enfrentei uma escuridão, sem qualquer pé de gente na rua... Uma moto veio em minha direção... Gelei! (Afinal, ocorrências de assalto a moto é moda e coisa muito comum aqui em Natal) Preparado para reagir, ou para correr, na bela garupa daquela moto havia uma garota, guiando-la com um garoto agarrado a sua cintura (talvez fosse o namorado dela...).
Suspiro de alívio, mas ainda com um pouco de medo, cheguei no destino: a casa da minha avó. É da família, mas família não quer saber muito dessas coisas, não. Muito menos do porquê de se estar alí, incomodando-la... Entrei, inventei uma explicação para o problema e logo aprontei minha estadia.
Sabe, não me senti tão em casa logo que acordei. Tomei meu café e fiquei mais um pouco. Sob olhares estranhos e cochichos, percebi que era hora de voltar p'ro meu cafofo, bem longe dalí. Ao chegar em casa, dividindo o mesmo teto com minha família, senti não só a sensação de estar sendo vigiado, mas a da falta de liberdade e de posse sobre si. Mais uma vez, como de costume, estressei-me na minha própria casa. Minha não(!), da minha família... Deu-me vontade de sai, desaparecer.
Além das cobranças, faltou até respeito. Tampa de sanitário mijada (de propósito), piadas sem graça acerca das vidas alheias, vigilância sobre o que se anda fazendo na Internet e no computador e até exigências sobre coisas que nem mesmo são do meu interesse ou domínio. Um saco! Caí na real que já não tenho tempo mais p'ra esperar a estabilidade emocional perante os fatos. Assim q conseguir aproveitar uma oportunidade, tomarei minhas providências de ter meu próprio canto. Meu.
Um quarto, uma casa, um lugar... O primeiro, p'ra que eu possa dormir com o som ligado no volume que eu quiser, até a hora que bem entender; o segundo, p'ra não dar satisfações a ninguém, manter minha dignidade e até não ser expulso por ter feito a coisa certa, justa e decente; a terceira, p'ra fazer dele à minha cara!
Com as cores que quero, com os relógios que quero, com as xícaras, panelas, tapetes que desejo. Com o carro e com a vida que, mesmo que não seja a que pedi a Deus, não se faça necessário escondê-la debaixo do tapete.